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Apresentação do livro "Tudo o que sempre quis" de Ana Rita Correia

    - Dia 29 de setembro, sábado, pelas 18h00, à conversa com a autora.

A Ana Rita disponibiliza para leitura/empréstimo alguns exemplares do livro na Biblioteca Municipal, oferecendo aos leitores a possibilidade de conhecerem a obra e sobre ela partirem à conversa no dia 29 de setembro.


Sinopse:
 
«Salvador. Lucas. Helena. Sara e Martim.
 
Cinco jovens que se perderam algures na estrada da vida. Todos eles têm assuntos pendentes, cicatrizes e fantasmas que insistem em persegui-los onde quer que vão. Até mesmo quando, um por um, por um motivo ou por outro, se refugiam numa pequena Vila à beira-mar sem saberem até que ponto os seus destinos estão traçados. 
Uma história de amor, de amizade, de dor, perdão e segundas oportunidades. Mas acima de tudo, lealdade. 
Ninguém é forte o suficiente ao ponto que não precise de outro alguém. 
 
O que faria com uma noite que mudou tudo? 
Até onde iria em nome do amor?»

Vídeo de apresentação do livro:


Mail e redes sociais:
 
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Instagram: @aritacorreia.writer

Biografia:
 
Ana Rita Correia nasceu no coração do Ribatejo, Santarém, a 13 de Maio de 1993. Aos 14 anos de idade descobriu que a leitura lhe proporcionava um escape para uma dimensão diferente, fazendo-a esquecer o que a rodeava. Fã incondicional de Nicholas Sparks, depressa decidiu que queria contar histórias. Queria escrever livros.
 
Dez anos depois, os cadernos de capa preta com as pequenas histórias que escrevia, deram lugar a livros impressos.
 
Continua a mesma leitora compulsiva, sobretudo para escapar ao stress do dia-a-dia da sua profissão como Designer de Interiores e Exteriores.
 
 

Excertos do livro:
 
«O céu estava negro como carvão, anunciando mais uma intensa tempestade Primaveril, contudo não me impediu de sair à rua. Vesti umas calças de fato de treino cinzentas e uma camisola azul escura por cima da t-shirt, decidido a pegar na prancha e ver o que o mar me reservara para aquele dia.
 
Caminhei pelas estreitas ruas desertas, até à marginal, seguindo para o areal. Olhei em redor e apenas pude distinguir o vulto enevoado de dois ou três pescadores que lançavam as suas canas ao mar agressivo e espumento. (…)
 
Permaneci de pé, com as mãos a engelhar dentro dos bolsos enquanto as nuvens escuras se aproximavam a uma velocidade furiosa. Sentei-me na areia fria e húmida, fechei os olhos e ao som das ondas agitadas, esperei que a tempestade rebentasse. Esperei pelos pingos grossos da chuva fria e gélida que fustigavam a minha face como pequenos espinhos. Ergui o rosto para o céu em jeito de desafio. Eu não tinha receio, sentia-me entorpecido como se não pudesse sentir nada. Absolutamente nada! (…) A chuva continuava a cair cada vez mais forte, cada vez mais fria. Não sentia o meu corpo encharcado até aos ossos, como disse, estava entorpecido. Há algum tempo que não era capaz de sentir o que fosse, apenas um vazio dentro do meu ser. Podia estar rodeado por milhares de pessoas e mesmo assim sentia-me vazio. Sentia-me perdido. Sentia-me sozinho. Pus-me novamente de pé. Sentia-me a sufocar com a minha própria respiração.  (…) O mar estava convidativo, perigoso, mas não tanto assim. Mas, e daí? Eu gostava de perigo, gostava de desafiar cada onda que conseguisse. De vez em quando gostava de me arriscar, podia ter limites, mas não agora. 
 
Não, naquele momento iria passar para lá da minha linha invisível que separa a razão da loucura. Precisava de sentir alguma coisa, a mais pequena e ínfima coisa que fosse.
Corri para o mar e Deus me ajudasse.»
 
 
«Batalhara tanto nos últimos meses e foi ali que fora parar. A uma terra que o acolheu, no meio de desconhecidos que o acolheram à sua maneira. Nunca haveria de esquecer aqueles meses, tal como nunca esqueceria o que o levara a sair de casa a meio da noite. 
   - Meu, deixa-me em paz. – Ouviu alguém gritar perto da água. 
   - Achas que brincas comigo, pá? – Gritava outra voz. 
 
Por instinto largou a prancha e a mochila no meio do areal e correu para ver o que estava a acontecer. E lá estava ele, com a cabeça de baixo de água à força toda enquanto alguém o ameaçava e o empurrava ainda mais para baixo. 
 
   - Ei! Ainda o afogas! – Gritou Salvador, saltando para cima do estupor.  
 
Ele foi-se embora a resmungar e a soltar insultos para o tipo que ainda jazia na água a tentar equilibrar-se. 
Ao aproximar-se dele sentiu o cheiro a álcool. Sábado de manhã, típico. 
 
   - Lembra-te de me agradecer quando estiveres sóbrio, se aquele tipo não te puser as mãos em cima, entretanto. – Disse, ajudando-o a levantar-se. 
Ele sorriu, com réstia de uma valente ressaca. 
  - Pago-te uma pizza um dia destes. Aparece por lá. – Respondeu, apontando para a marginal onde se situava a pizzaria onde trabalhava. – Obrigado! – Agradeceu, enquanto se afastava e compunha a roupa ensopada. 
Este? Era o Martim. A personificação de sarilhos.»
 
«Naquela manhã, Sara madrugara. Desistiu de andar às voltas na cama quando olhou de relance para o despertador que anunciava as sete horas. O dia começara a despontar lentamente. Mais uma noite daquelas – pensava – em que não conseguia dormir devido às insónias.
  
Sem demoras, atirou o fato de surf para dentro de uma mochila juntamente com todo o material que necessitava e caminhou em direção à praia com a prancha dentro do saco prateado, debaixo do braço. (…) Os primeiros raios de sol refletiam-se na água à medida que ela caminhava pelo areal. Vislumbrou alguém no mar, outro surfista, em cima da prancha com os pés mergulhados na água à espera de uma onda. Começou os exercícios de aquecimento, de olhos postos no surfista dentro de água, sem notar que ele também a observava. Era um rapaz – constatou ao aproximar-se mais – acenou-lhe com a cabeça em jeito de saudação. Ele retribuiu. Por de trás dele uma onda estava a formar-se e Sara não perdeu tempo. Deslizou pela água como se fosse tudo tão…simples, quase podia adivinhar os olhos do surfista, cravados nas suas costas. Era mais alto do que ela pudera observar antes. O fato neopreme preto apenas com as letras brancas permitiu-lhe um leve vislumbre do seu corpo. Quando ele se virou o quadro ficou completo. A água salgada escorria-lhe pelo rosto, o seu cabelo escuro curto, apenas com alguns centímetros, prolongava-se pela barba de três dias. Quando o olhou nos olhos e viu o sorriso dele, largo e brilhante, quase se desequilibrou. Aqueles olhos verdes cintilavam de tal maneira que inicialmente não conseguiu distinguir bem a sua cor.  Ele não notara os olhos dela, cravados nas suas costas enquanto se afastava pelo areal. Observou-o chegar à marginal e a desaparecer por uma ruela enquanto o seu coração permanecia num reboliço. Aquele era o tipo de rapaz que lhe dava cabo do sistema.»
 
«Helena caminhava desvairada em direção às piscinas onde Salvador estava de serviço naquela tarde como nadador salvador. Onde seria que o irmão tinha a cabeça? Ele ia ouvir das boas, ai se ia.  
Caminhava a toda a velocidade como se fugisse sabe-se lá do quê. Quando lhe pusesse as mãos em cima nem sabia o que lhe faria. 
  - Ei! – Saudou Martim, saído do seu treino de natação. 
  - Agora não, Martim. – Resmungou, sem sequer olhar para ele.  
  - Ui! O que virá aí. – Murmurou.
 
Não esperou para saber e foi atrás dela. Estava curioso, embora palpitasse que Salvador estaria metido em sarilhos.
Salvador encontrava-se sentado numa cadeira de plástico branca de onde vigiava a piscina, ao notar a irmã a ir na sua direção completamente vestida, com as bainhas das calças dobradas e de chinelos a uma velocidade louca, por instinto levantou-se e começou a afastar-se.
  - Olá mana. Por aqui? – Tentou soar natural, enquanto dava meia dúzia de passos para trás. 
  - Estúpido! – Gritou-lhe, ferrando-lhe os punhos no peito. – Onde é que tinhas a cabeça?  
  - Mas o que foi? Pára de me bater, se faz favor. 
  - Meu grande otário!  
Martim apareceu na hora H mas nem isso a acalmou.
  - Sai daqui que isto não é contigo. – Helena espetou o dedo indicador na sua direção em jeito de aviso.  
Salvador cada vez percebia menos o que se estava a passar e mostrar-se desentendido só irritou ainda mais a irmã. 
  - Salvador Miguel és tão estúpido ao ponto de te esqueceres do que fizeste à Sara?  
Não teve tempo de responder, pois foi empurrado para dentro da piscina. Soube bem a Helena. Atirar o irmão à água soube-lhe muito bem mesmo. 
  - Que te deu? – Gritou ele dentro de água, a perder a paciência. 
  - Helena, pára com isso! – Martim tentava acalmar os ânimos, mas acabou também dentro de água. 
  - Ver se refrescas as ideias, Salvador. E tu – apontou o dedo a Martim – aprende a não te meteres no meu caminho quando o assunto não é contigo. »
 
«O relógio marcava as sete horas quando os raios de sol começaram a penetrar as persianas, mas ele já tinha acordado muito antes disso. Ao seu lado, dormia a pessoa que amava de todas as formas possíveis e imaginárias. Suavemente, com a ponta dos dedos, tirou-lhe uma madeixa de cabelo do rosto, perdendo a noção do tempo enquanto a observava a dormir. 
 
Como teria sido para ela passar por tudo aquilo que tinham passado? Como poderia ela aceitá-lo e amá-lo daquela forma? Ela merecia melhor, era a certeza que ele tinha, mas não estava disposto a abrir mão dela enquanto não lho pedisse.
 
Sentiu o coração apertado ao imaginar como seria se um dia a perdesse. Não duvidava do amor que ela dizia nutrir por ele, contudo, tinha momentos de insegurança.
  - Bom dia, querido. 
  - Bom dia dorminhoca. 
  - Tiveste pesadelos outra vez? 
Ele assentiu. 
  - Não te quis acordar. Acho que já estou habituado.  
Puxou-a mais para perto de si, beijando-lhe os lábios com uma enorme ternura.  
  - Tenho de ir tomar banho. Vens? 
Ele sorriu. – Dá-me um minuto. 
Assim que ouviu a água a correr, abriu a gaveta da mesinha de cabeceira e tirou uma pequena caixa de veludo vermelho.  
Como se pedia a alguém que ficasse com ele para sempre? »