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Exposição Vida e Obra de Bocage, "Bocage Reconhecido"

 
Bocage Reconhecido
 
Exposição de Caricaturas com desenhos alusivos ao poeta e a outras personalidades que com ele privaram, casos de José Agostinho de Macedo, que foi seu companheiro tornando-se, mais tarde, um rival, ou de José Pedro Silva, que assistiu o poeta no seu leito de morte *. 
 
Da autoria de Nuno Saraiva, imagens gentilmente cedidas pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Lisboa,   esta mostra estará patente no átrio da Biblioteca Municipal durante o mês de março.


Autor: Nuno Saraiva

Ilustrações realizadas em 2015, integradas na comemoração “Bocage Reconhecido”, edição Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Lisboa.
 
Títulos das ilustrações patentes ao público: “Bocage”; “José Agostinho de Macedo”; “Intendente Pina Manique”; “A Amante”; “José Pedro Silva (Luminárias)”


Contextualização:

Bocage (1765-1805)

Bocage. Foi o maior poeta português do século XVIII, que se irmana com Camões no destino do estro e nas desventuras de uma existência repartida entre Portugal e a Índia. Manuel Maria l’ Hedois de Barbosa du Bocage – de seu nome completo – era filho de um advogado e de uma senhora francesa de ascendência normanda. Orfão de mãe desde os dez anos, assentou praça em Setúbal em 1781, tendo-se alistado dois anos depois na recém-fundada Academia dos Guardas-Marinhas, em Lisboa. Conheceu então a boémia lisboeta, os botequins, o Nicola, onde o seu génio poético se afirmou no improviso e lhe ganhou aplausos. Subitamente, ao fim de dez meses de frequência do curso, Bocage abandonou os estudos, sendo dado como desertor em 6 de Junho de 1784. Nomeado guarda-marinha, partiu para a Índia a 4 de Abril de 1786, fazendo escala no Rio de Janeiro, tendo chegado a Goa a 20 de Outubro.
 
A sua estada na Índia foi por ele comparada ao exílio de Ovídio entre os Getas – os “bárbaros” indianos que o rodeavam. Promovido ao posto de tenente, foi destacado em Damão, mas só aí permaneceu dois dias, 7 a 8 de Abril de 1789, refugiando-se em Macau de onde viajou para Lisboa, em 1790.
 
No seu regresso, Bocage aderiu à Nova Arcádia, onde assumiu o pseudónimo literário de Elmano Sadino. Em 10 de Agosto de 1797 foi preso por ordem do intendente Pina Manique, acusado de ser “autor de papéis ímpios e sediciosos”. A peça principal do auto de acusação era o poema Pavorosa Ilusão da Eternidade. A 7 de Novembro do mesmo ano foi transferido para os cárceres da Inquisição, daí seguindo, a 22 de Março de 1798, para o Hospício de Nossa Senhora das Necessidades, dirigida pelos padres do Oratório. Pouco depois saiu do convento e um trabalho regular e remunerado tornou-se nele uma necessidade desde o momento em que procurou dar à irmã mais nova, Maria Francisca, um lar. E assim se instalou na travessa André Valente, no andar onde morreu e se encontra afixada uma placa comemorativa da sua presença.
 
Foi durante este período que travou uma polémica com José Agostinho de Macedo, ditando a um amigo no Nicola a Pena de Talião, sátira que ficou célebre na literatura portuguesa. Consumido por um quotidiano desregrado, contraiu um aneurisma, que o forçou ao recolhimento e o levou a reconciliar-se com as normas convencionais da existência e com os inimigos. Reduzido a extrema penúria, foi graças aos esforços de um amigo, José Pedro da Silva, que lhe recolheu os poemas compostos durante a enfermidade e os publicou, vendendo-os pela rua, que o poeta auferiu alguns recursos com que manteve o modesto lar. Os poemas desta fase final da sua vida constituem a palinódia de um passado de boémia e de irreverência, perdido o ardor que animara os verdes anos e o sustentara até à hora da doença. Morreu a 21 de Dezembro de 1805. (…) Foi um tradutor rigoroso do latim e do francês, vertendo para o nosso idioma textos de Ovídio, Museu, Lacroix, Voltaire, Delille, Pierre Rousseau, entre outros.
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Padre José Agostinho de Macedo (1761-1831)

Poeta português nascido a 11 de setembro de 1761, em Beja, e falecido a 2 de outubro de 1831, em Lisboa. Filho de um ourives, estudou em Lisboa com os oratorianos e professou em 1778 na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, no convento da Graça em Lisboa, sendo expulso em 1792 pelo facto de os superiores o considerarem "contumaz e incorrigível". Teve um curso acidentado, uma vez que, desobedecendo às regras devido ao seu feitio atrabiliário, foi consecutivamente mudado de convento. Chegou mesmo a agredir alguns irmãos em religião e até a transpor as paredes das casas religiosas em que viveu.


Turbulento e sem escrúpulos, Macedo foi várias vezes acusado e condenado pela Justiça por desmandos e roubos. Obteve, por fim, a despensa dos votos monásticos, mas destacou-se entre os mais célebres oradores do seu tempo, alcançando os seus sermões grande notoriedade na época.

Pregador na Corte, deitou mão das influências e proteções para atacar os seus inimigos políticos, entre os quais se salientam Bocage e Almeida Garrett a quem causou entrada no Limoeiro. Ingressou na Nova Arcádia, onde entrou em quezílias com Bocage, e veio mais tarde a pertencer à Arcádia de Roma, sob o nome de Elmiro Tagideu.
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Intendente Pina Manique (1773-1805)
 
Devido à impotência da rainha D. Maria I, que enlouquecera, o poder estava amplamente concentrado nas mãos do Intendente, Diogo Inácio de Pina Manique, político que instaurou um autêntico estado policial, velando pela "ordem", proibindo livros dos filósofos franceses iluministas – Diderot, Voltaire, Rousseau, entre outros –, vigiando portos, disseminando agentes pelos cafés, os "Moscas", que, discretamente, identificavam os "fautores da subversão", os críticos mais acérrimos da política portuguesa.
 
Em 1790, Bocage regressa a Portugal na sequência de uma estada agitada pelo Oriente. Para trás ficara uma experiência marcante em contacto com culturas díspares como a brasileira, a moçambicana, a indiana, a chinesa e a macaense. Os ideais de solidariedade social implícitos na revolução que se consolidava em França exerciam sobre ele um apelo inelutável.
 
Em Lisboa, nos dez anos subsequentes, levou uma vida de boémia, de franco convívio com o "bas-fond" da cidade. A sua peculiar experiência de vida, a irreverência, a extroversão, a emotividade, a frontalidade, a ironia, a percepção aguda da realidade e o imenso talento que o caracterizavam, de imediato, lhe granjearam um séquito de admiradores incondicionais. No "Botequim das Parras", no "Café Nicola" e noutros lugares de encontro dos noctívagos lisboetas, Bocage foi rubricando críticas aceradas aos múltiplos problemas nacionais, ao despotismo de Pina Manique, ao ambiente de suspeição em que se vivia, à natureza do regime e à ausência dos direitos humanos mais elementares.
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José Pedro Silva (Luminárias) (1772-1862)
 
José Pedro da Silva, Chefe dos contínuos da Câmara dos Pares, nomeado em 1827, e Continuo da Secretaria d'Estado dos Negocios da Marinha em 1834. Nasceu em Paço d'Arcos em 1772. Faleceu em Lisboa a 15 de maio de 1862. Foi por muitos anos dono do antigo e celebre botequim situado na praça do Rocio (hoje de D. Pedro), conhecido mais geralmente por loja das Parras, que no primeiro quartel deste século [XIX] servia de ponto de reunião á maior parte dos poetas e literatos do tempo. Publicou a seguinte: 4518) Collecção dos versos e descripção dos quadros allegoricos, que em todas as solemnidades publicas desta capital mandou imprimir, e gratuitamente distribuir por occasião das illuminações da sua casa na praça do Rocio. Reimpressa á sua custa em beneficio da Casa pia. Lisboa, na Imp. Regia 1812. 8.º de VI 201 pag. Contém poesias dos melhores engenhos daquela época, tais como José Maria da Costa e Silva, Nuno Alvares Pereira Pato Moniz, Tomás Antonio dos Santos e Silva, Miguel António de Barros, João Bernardo da Rocha, etc., dos quais muitas só neste livro se encontram.
 
Acerca [de José Pedro da Silva] cujo nome anda ligado às tradições da Arcádia, e a quase todas as biografias do insigne poeta Bocage, publicaram-se extensos necrológios. José Pedro começou a ser conhecido quando administrava o botequim do Nicola, no lado ocidental da Praça do Rocio, cujas portas têm hoje os nr. 24 e 25; aí se reuniam muitos literatos e vultos políticos, os quais depois passaram a frequentar o estabelecimento que abriu por sua conta no prédio próximo, nr. 27 a 29. O gabinete reservado - a que chamavam «Agulheiro dos Sabios» - era o lugar das sessões nocturnas de Manuel Maria Barbosa du Bocage, D. Gastão Fausto da Câmara Coutinho, Tomás Antonio dos Santos e Silva, Francisco Joaquim Bingre, Nuno Alvares Pereira Pato Moniz, Francisco Manuel Gomes da Silveira Malhão, Miguel Antonio de Barros, João Bernardo da Rocha Loureiro e outros homens de letras. Aquele gabinetezinho, como diz condeituosamente o Sr. Barão de Roussado, «era um laboratório literário». Planeavam-se ali obras; improvisavam se versos; discutia-se a política do dia; e exercia-se a mais severa crítica sobre todos e tudo. Era ao mesmo tempo o artigo de fundo, o folhetim e o noticiário da época. Os afeiçoados à política e às letras, e os curiosos de novidades iam ali perguntar o que diziam os poetas. José Pedro era um jornal vivo, colaborado pelos principais talentos de Lisboa, tinha assunto para todos os paladares; recitava sonetos e décimas de Bocage, repetia as sátiras de José Agostinho, e desenvolvia as reflexões políticas de Bernardo da Rocha.
 
 

Fontes: 

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