No romance A Cegueira do Rio, Mia Couto resgata memórias esquecidas entre Portugal, Moçambique e Alemanha, oferecendo-as como um bálsamo de paz para um presente ferido pela guerra.
Naturalmente, na partilha das nossas leituras surgem pontos de vista coincidentes. As conversas à volta dessas coincidências acabam por ser dos momentos mais prazerosos dos nossos encontros.
Partilhamos frequentemente a admiração perante a genialidade do escritor ao escrever aquela frase que nos marcou, a forma como criou determinada personagem.
Nesta magnífica obra de Mia Couto, a carga simbólica e imagética dos provérbios que acompanham cada um dos capítulos, também a forma como o escritor coloca perante o leitor o pensamento de cada personagem foram, para nós, os aspetos mais marcantes desta obra.
Isto, claro está, tendo sempre como pano de fundo a procura dos muitos significados que brotam da “Cegueira do rio”, em Moçambique no início do séc. XX, marcada pelo início da I Guerra Mundial, naquela que foi a primeira incursão alemã em África.
Intervalámos. Desta feita não tivemos o prazer de provar o habitual bolo autóctone confecionado pela Rosário, pois teve outro compromisso. Ficámo-nos pelas ferraduras, pelos SS de amêndoa e pelos quadradinhos de Alpiarça, deliciosos também.
Mais um pouco de boa conversa e assim finalizámos mais um Encontro dedicado à literatura lusófona. Uma vez mais, queremos agradecer a todas as Bibliotecas, de Norte a Sul do país, incluindo as ilhas, que têm colaborado connosco através do empréstimo bibliotecas, muito obrigado!