Comunidade de Leitores - “O Diabo foi o meu padeiro"
Dia 25 de janeiro | 16h00
Será com Mário Lúcio Sousa, escritor cabo-verdiano, e com aquele que é considerado um grande romance da lusofonia, “O diabo foi meu padeiro", que iremos dar continuidade ao ciclo de encontros dedicado à literatura lusófona. "Nos 45 anos do encerramento do campo de concentração, Mário Lúcio Sousa, nascido no Tarrafal, toma a voz de vários prisioneiros chamados Pedro e chegados em diferentes vagas de Portugal, da Guiné, de Angola e até de Cabo Verde"
No dia 25 de janeiro, sábado, pelas 16h00, juntem-se a nós!


A Colónia Penal do Tarrafal, criada durante o Estado Novo na ilha de Santiago, em Cabo Verde, foi estreada em 1936 com centena e meia de prisioneiros políticos vindos da metrópole, que era preciso afastar, enfraquecer e usar como lição.
Embora as condições em que ali viveram – esses e todos os outros que ali foram encarcerados – sejam conhecidas (quase sem água, privados de higiene, doentes e sujeitos a torturas várias), nada melhor do que ouvi-las da boca de quem as sofreu na pele ou assistiu de perto a esse sofrimento. Nos 45 anos do encerramento do campo de concentração, Mário Lúcio Sousa, nascido no Tarrafal, toma a voz de vários prisioneiros chamados Pedro e chegados em diferentes vagas de Portugal, da Guiné, de Angola e até de Cabo Verde.
E, ao relatar a história desta prisão terrível e de quem a foi dirigindo ao longo dos anos, o presente romance homenageia simultaneamente os que ali perderam a vida e os que sobreviveram ao horror e ainda os vários modos de falar uma língua que foi, tantas vezes, a que os tramou e a que os viria a salvar.
Biografia
Mário Lúcio Sousa (Lúcio Matias de Sousa Mendes) nasceu no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1964. Licenciado em Direito pela Universidade de Havana, foi deputado ao Parlamento Cabo-Verdiano e embaixador cultural do seu país antes de se tornar Ministro da Cultura, cargo que desempenhou de 2011 a 2016. Condecorado com a Ordem do Vulcão, ao lado de Cesária Évora, foi o artista mais jovem de sempre a receber tal distinção no seu país.
É autor das seguintes obras: Nascimento de Um Mundo (poesia, 1990); Sob os Signos da Luz (poesia, 1992); Para Nunca Mais Falarmos de Amor (poesia, 1999); Os Trinta Dias do Homem mais Pobre do Mundo (ficção, 2000), prémio do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa; Vidas Paralelas (ficção, 2003); Saloon (teatro, 2004); Teatro (coletânea, 2008); O Novíssimo Testamento (romance, 2010), Prémio Literário Carlos de Oliveira; Biografia do Língua (romance, 2015), Prémio PEN Clube Português de Narrativa e Prémio Literário Miguel Torga.
In Wook
Como era expectável, a leitura de “O diabo foi meu padeiro" impressionou pela dureza a que foram sujeitos os presos políticos no Campo de Concentração do Tarrafal, genialmente retratada por Mário Lúcio Sousa. O escritor soube-nos transmitir o tamanho sofrimento a que aqueles seres humanos foram sujeitos, sem nunca deixar de nos oferecer o encanto e a musicalidade da escrita cabo-verdiana, funcionando como um consolo, apaziguando as dores da leitura.
Os primeiros presos chegados a Cabo Verde, S. Vicente, em 1936, foram eles próprios os construtores da prisão, do local do seu martírio. Num relato minucioso de como foi vivida e aplicada a tortura ao corpo e à mente naquele Campo de Concentração, o escritor deu-nos a conhecer os limites da resiliência daqueles presos poliiticos vindos não só da metróple, mas também das restantes colónias do Império.
Fizemos uma pausa na nossa boa conversa para provar um delicioso bolo de ananás, receita de Cabo-Verde, adaptada. Uma vez mais, muito obrigado Rosário!
Retomamos, continuando a trocar pontos de vista sobre as nossas leituras, lendo excertos do livro que nos impressionaram ou encantaram, revelando toda a mística do escritor e da sua obra. Percebemos como os presos políticos foram particularmente sacrificados pelo regime do Estado Novo. Aos presos políticos, diferentemente do preso comum por delito ou crime, era necessário afastar ideais, usar como lição aquele martírio. Infelizmente, este exemplo continua a repetir-se em muitos regimes autoritários. “O diabo foi meu padeiro”, mostra-nos tudo isso, o diabo, o padeiro, em vez de pão, trouxe tortura e sofrimento.
Voltamos em fevereiro com mais um escritor da lusofonia, muito obrigado a todos!
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